Os palhaços brasileiros, assim como seus colegas ingleses, não estão nada felizes com a popularidade do filme "It: A Coisa". Segundo eles, a história sobrenatural de um demônio que se transforma no pior medo das crianças e sua igura mais comum é como o palhaço Pennywise -- atrapalha o trabalho de profissionais e contribui com a manutenção da ideia de que o personagem colorido é perigoso. "Poderiam colocar uma borboleta, barata, aranha ou qualquer outra coisa que algumas pessoas têm medo. Mas colocaram logo a figura distorcida de um palhaço que é mau e obscuro", diz o palhaço Fux.O UOL entrevistou quatro profissionais experientes na área para falar do impacto do filme para a classe artística. Cada um deles tem seu próprio estilo para atrair a molecada, mas a proposta é a mesma: levar alegria e colocar um sorriso no rosto dos pequenos. "Com certeza vai atrapalhar a profissão. Desde as aparições dos 'palhaços assassinos' nos Estados Unidos, muita criança ficou com medo da gente, porque nos associavam com essa febre da internet", afirma Tico."A gente tem como exemplo 'Bingo - O Rei das Manhãs', que é um baita de um filme, só que influencia negativamente os palhaços. A gente sabe da história do Arlindo Barreto [o Bozo original], mas envolve o palhaço com o uso de droga por exemplo. E eu digo que não são palhaços, é um cara que usa de um personagem para alcançar as coisas que quer. Está todo mundo contra a gente, é um complô universal", reitera Xibum.A minissérie dos anos 90 "It - A Obra-prima do Medo", baseada na obra de Stephen King, colocou uma geração contra os palhaços, e o filme que chega aos cinemas no dia 7 de setembro, 27 anos desde a última aparição de Pennywise, concorda: "Temos que enfatizar o riso, o amor e a gentileza do palhaço que tem de tropeçar para ver o riso da plateia".